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Se está realmente interessado em adoptar um animal de estimação, há
algumas perguntas que deve fazer a si próprio...e as respostas devem
ser o mais honestas possÃvel!!
Todos os animais de estimação representam um grande compromisso, que envolve vários aspectos, tais como:
1. Disponibilidade financeira;
2. Disponibilidade de tempo;
3. Disponibilidade emocional.
Em troca, vai ficar com um companheiro que o irá deliciar com as suas tropelias, enriquecendo a sua vida de uma forma única.
1.
Disponibilidade financeira: Alimentação: Actualmente existem no mercado
várias opções, de diferentes qualidades e preços, variando também de
acordo com o animal que se destina no que respeita à idade, tamanho,
tal como existem dietas especÃficas adequadas à s necessidades dos
animais que padecem de certas doenças.
Vacinação: O plano vacinal é escolhido pelo veterinário de acordo com a
idade do animal, da área de residência, do estado de saúde na altura da
vacinação assim como outros factores:
Cachorro - Primovacinação
Adulto - Revacinação anual (Raiva, Esgana,
Leptospirose,...) ou semestral (ex. Leptospirose em áreas endémicas)
Desparasitação - A periodicidade e o tipo de
desparasitação escolhido depende da área geográfica e do tipo de
parasita a considerar, grau de infestação, assim como da época do ano,
contacto com outros animais, etc. Deve ser: interna (Nematodos e
cestodes)e externa (Pulgas, Carraças, Mosquitos).
Doenças inesperadas- Doenças infecto - contagiosas, metabólicas, traumatismos vários, etc.
Intervenções de conveniência: Cirurgias de castração/ esterilização.
Evita ou diminui a probabilidade do aparecimento, a longo prazo, de
certas doenças relacionadas com o aparelho reprodutor (infecções
uterinas, doenças prostáticas, tumores mamários,...), e controla as
alterações do comportamento relacionadas com as alturas em que o animal
está em cio.
Outros: Consultas de controlo/ Check-up. Geralmente os animais
geriátricos ou com doenças crónicas ou em processo de tratamento
necessitam de ser acompanhadas periodicamente pelo médico Veterinário
(ex. pacientes submetidos a cirurgias ortopédicas, diabéticos,
cardÃacos,...). Por vezes também necessitam de ser submetidos a exames
complementares de controlo (ex. Rx, ecografia, ecocardiografia,
análises sanguÃneas e bioquÃmicas, etc.)
Alojamento: A sua residência actual permite-lhe ter um cão? De que
dimensões? Tem a autorização do seu senhorio? O seu condomÃnio permite
a permanência de qualquer tipo de animais no prédio? Se habita numa
vivenda ou moradia, pretende manter o animal dentro de casa ou no
exterior? Se assim for, tem alojamento adequado que lhe permita
abrigar-se do frio ou sol e calor intenso?
Acessórios vários:
Trelas, coleiras ninhos - se for um cachorro é
natural que mais cedo ou mais tarde tenha a necessidade de comprar uma
nova, ou porque a primeira já se tornou pequena ou ele entretanto
decidiu roê-la...
Comedouros, brinquedos, pentes, escovas, champôs especÃficos, etc.
Férias: Se pretende ausentar-se durante o perÃodo de férias ou devido a
outros compromissos já pensou se pode levar consigo o seu animal? Caso
não seja possÃvel, tem alguém que possa ir a sua casa alimentá-lo e
passeá-lo? Pode contratar um pet-sitter ou pagar a permanência num
hotel canino?
Banhos e tosquias: A necessidade e periodicidade dependem do tipo de
pêlo, idade do animal, se permanece no interior da habitação ou no
exterior, etc.
Seguros: Os seguros de saúde (são relativamente caros, exigentes e
ainda existem poucas alternativas em Portugal) e contra terceiros ( se
por acaso o seu amigo morder alguém ou destruir algo valioso - deve ser
sempre realizado se o animal por algum motivo for considerado
potencialmente perigoso).
2. Disponibilidade de tempo
Durante o dia: Quanto tempo por dia vai poder dedicar ao seu cão?
Durante a primeira fase, vai precisar de mais tempo para o educar. Se
passa pouco tempo em casa talvez deva pensar em adoptar um outro animal
que seja mais independente.
Passeio: De acordo com o tamanho e Ãndice de actividade do animal que
escolheu, além do espaço a que tem acesso em sua casa, o seu cão vai
necessitar de passeios periódicos. Além de ele fazer mais exercÃcio,
permite-lhe aumentar o seu nÃvel de socialização, tanto com outros
animais como com pessoas e ruÃdos aos quais não esteja habituado.
Contudo o mais importante do passeio será o tempo que vai partilhar
consigo e que lhe vai ajudar a fortalecer os laços da vossa amizade.
Cuidados de higiene: A periodicidade dos banhos e das escovagens
depende do tipo de pêlo (curto, longo, encaracolado ou liso, etc) Se
não gosta destas tarefas e prefere levá-lo a um tosquiador/
cabeleireiro canino ou Pet- shop, também precisa de ter tempo para
fazer as marcações e de disponibilidade de tempo e transporte para o ir
levar e buscar. Actualmente já existem lojas especializadas que fazem
serviços domiciliários, no caso de não ter um meio mais prático de
transporte
Consultas: Se precisa de o levar ao veterinário, também vai precisar de
tempo. A maioria das clinicas funcionam em horário laboral e os
serviços de urgências abertos 24horas/dia têm um valor acrescido
Treino: O treino básico é geralmente realizado em casa pelo
proprietário. Para isso, além do tempo vai precisar de algumas
informações acerca de conceitos básicos além de uma boa dose de
paciência. Se pretender um treino mais especÃfico, então pode recorrer
a uma escola ou treinador particular.
Férias: Se o levar consigo de férias, vai ter tempo para continuar a cuidar dele? Ou tem outras alternativas?
3. Disponibilidade emocional/familiar/tolerância
Empenho: Será que toda a gente pertencente ao agregado familiar está na
disposição de ter um cão? Ninguém tem medo de cães? Será que todos
estão dispostos de um modo ou de outro a participar nos cuidados de
educação, higiene, alimentação, etc, de que este novo amigo vai
precisar? Estão todos de acordo com o tipo de cão a escolher?
Saúde: Ninguém no seu agregado familiar sofre de alergias?
Sim - Sabe se também é alérgico a cães ou a
gatos? Tem conhecimento das medidas que pode tomar para resolver a
situação?
Não - Experimente pôr toda a gente em contacto com o
cão de um amigo. Espere algum tempo e verifique se alguém começa a
espirrar, tossir, a aparecer com borbulhas na pele, ou outras
manifestações alérgicas. Por vezes, estas reacções só surgem passados
alguns minutos ou horas.
Socialização: Se já possui outro cão ou gato, tem a certeza que ele
está disposto a partilhar o seu território? Ele aceita bem outros
animais?
Se tem crianças em casa, sabe que por mais dócil que o cão seja, NUNCA
deve ficar sozinho com elas! Há sempre o perigo de uma brincadeira
correr mal...as crianças não têm noção da força que têm e às vezes
podem magoá-lo, ou provocá-lo, e a reacção dele não ser a melhor! Se
adoptar um cão adulto, certifique-se que ele está perfeitamente
habituado à presença de crianças. As crianças, por sua vez também devem
desde cedo ser ensinadas a respeitá-los.
Se é um animal pouco sociável, pergunte a opinião a um veterinário de
como lidar com esse temperamento. Não se esqueça que, de acordo com a
lei em vigor, os animais potencialmente perigosos devem ter sempre um
seguro de responsabilidade civil.
Barulho: Os cães ladram, é a forma de se expressarem! Consegue suportar
isso? E os seus vizinhos? Está disposto (mais uma vez) a dedicar tempo
na sua educação?
Pêlo: Os cães largam pêlo! Geralmente têm duas mudas mais intensas por
ano, mas durante todo o ano perdem sempre algum. Vai encontrar pêlo
espalhado na casa, na roupa...não há soluções 100% eficazes.
Uma das formas de controlar melhor é através de cuidados e tempo
dedicados a cuidar do pêlo, escovar e pentear com frequência,
alimentá-lo com ração de boa qualidade, utilizar produtos adequados no
banho, etc.
Dentes: Enquanto cachorros eles mudam os dentes, logo precisam de
mastigar. Está disposto a alterar a disposição da sua casa durante o
perÃodo de treino? Não se vai importar quando, durante os primeiros
meses, tiver que se levantar a meio da noite para o educar?
Até que a morte nos separe...
Quando adoptar um animal, lembre-se de que é uma responsabilidade que
vai ter de assumir por 10 a 15 anos, ou mais um pouco...não pode NUNCA
ser encarado como um capricho de meia dúzia de meses ou 2 ou 3 anos!
Lembre-se que a vontade de ter um animal de estimação não é o
suficiente. Se não reunir as condições necessárias e insistir na
adopção, mais cedo ou mais tarde pode ter que abdicar da sua
companhia... isto será tão doloroso para si, como para o então seu
"velho amigo". Em contrapartida, ao adoptar um animal, vai ganhar um
companheiro dedicado e fiel, que com certeza lhe dará imensos momentos
de alegria e diversão.
Se depois de ter a devida consciencia do que é adoptar um animal ainda
pretende ter um amigo fiel... teremos todo o prazer de ajudar e
aconcelhar na sua escolha assim como acompanhar todo o processo de
adopção.
Se achar que ainda não chegou o momento ideal... há muitas outras
formas de os ajudar, nomeadamente apadrinhando, divulgando, etc... NÃO
DESANIME!
Texto baseado em: "Uma Questão de Adopção" do Hospital Veterinário do Porto.
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